domingo, 13 de maio de 2012

Do que correu



Com meus fones de ouvido e um café. 
Sento na varanda. 
E os pés – com meias – sobre uma mesinha qualquer. 

O sol parece ter desistido de sair.
O leiteiro ainda não veio.
E a lona do circo acaba de cair.

Seguro minha xícara com entusiasmo.
A respiração lenta.
E o corpo num marasmo.

Segure-me para não piscar.
De repente, não controlo.
E o circo não mais está.

O leiteiro não chegou.
O café esfriou.
E o circo... 

[Silêncio]


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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não é insônia, é você


21h30min
Espero você me ligar.
21h45min
Espero você me ligar, com mais ansiedade.
22h00min
Começo a pensar que você não ira me ligar.
22h15min
A ansiedade e a aflição tomam conta de mim.
22h30min
Uma hora esperando você me ligar. Não me contenho, te ligo.
22h32min
Você não atende.
22h34min
Caixa de mensagem.
22h35min
Desligo.
22h50min
Você me liga. Não atendo.
23h00min
Percebo que você não irá ligar novamente.
23h05min
Ligo-te.
23h07min
Você não atende. Puro orgulho.
23h09min
Desisto.
23h30min
Eu não consigo dormir. E você, do seu quarto, também não consegue.
01h50min
Enquanto te ligo, você me liga. Desvio de chamada ativo.
01h52min
Atendo.
01h52min às 04h30min
Conversamos, nos desculpamos, e finalmente a-d-o-r-m-e-ç-o.


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quarta-feira, 28 de março de 2012

Pra moça de riso fácil



Sinto tanta saudade de você. Do nosso riso fácil, e leve. Das nossas baboseiras e ilusões. Dos sonhos, abraços e afagos.

Pois é, best. Quanta saudade.

Cheguei do trabalho a cerca de duas horas. Não parei de pensar em você, nem um segundinho nessas duas horinhas, creio que isso decorreu por conta do que eu vi quando estava voltando pra casa, não que eu não me lembre de você sempre, mas é claro que eu lembro, oras – não faça drama, nem distorça minhas palavras – vi duas garotas, uma balançava os braços loucamente, e  a outra ria, e ria, e ria. Eu as consideraria loucas se já não tivesse passado por inúmeras situações assim, com você. Não sei que graça havia naquilo, muito menos do que possivelmente elas estavam rindo. Mas era um riso tão gostoso. Leve. Fluía, sabe? Era um riso que vinha sem cobrar nada, e ia, e ia, e ia... Antes de ir, outro riso voltava. E elas paravam como se estivessem lembrando o motivo pelo qual haviam sorrido e simplesmente começando a rir novamente.

Com você meu riso é fácil. Admito.

Há dias que me pego sorrindo sozinha, lembro-me de coisas, de momentos. E sabe? Tenho uma confissão a fazer, eu rio com você, mesmo quando você não está comigo, eu paro e penso: Se ela estivesse aqui, iria rir comigo. Então pronto, como quem em um passo de mágico, algo totalmente banal, que passaria despercebido por um mortal qualquer, se torna a coisa mais hilária do mundo.

“Não dorme, fica conversando comigo.”

Queria que você dormisse aqui quando eu quisesse. Quando eu te convidasse. Ou quando, você simplesmente aparecia aqui dizendo que ia dormir aqui, sem roupa de dormir, sem escova de dente, sem nada. Vinha “nua” de coisas. Minto, você não vinha dormir aqui, vinha passar a noite, correto? Porque eu não te deixava dormir. Acabávamos sempre, digo, s e m p r e dormindo no meio da conversa. E quando acordássemos não seria um bom dia que iriamos dizer uma à outra, e sim: “Eu te deixei falando sozinha?”
Sorry, não quero ocupar seu tempo. Não queria escrever muito, e acho que acabei sendo fiel a essa ideia. Despeço-me. Com os olhos cheios de lágrimas, um sorriso no coração, e o braço pronto para um abraço, sinta-o.


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Não ando postando muito, mil perdões por isso.
Essa "carta" foi feita pra uma melhor amiga [Dayane Teixeira]
Escrito ao som de: Elephant Gun - Beirute